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    Como precificar seu produto da maneira correta? Guia completo!

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    Padeira calcula preço das suas mercadorias

    Definir o preço de um produto é uma das decisões mais estratégicas que um empreendedor pode tomar. Precificar não é apenas somar custos e adicionar uma margem de lucro. Envolve entender o valor percebido pelo cliente, analisar o mercado e a concorrência e, ao mesmo tempo, dominar os números do seu próprio negócio.

    Uma precificação incorreta pode gerar prejuízo, perda de competitividade ou até desvalorizar sua marca. Cobrar abaixo do necessário compromete a sustentabilidade da empresa, entretanto, cobrar acima, sem estratégia, pode afastar clientes e reduzir vendas.

    Em um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo, saber precificar com estratégia é um diferencial real. É preciso ir além do “achismo” e aplicar métodos que garantam cobertura de custos, geração de lucro e posicionamento adequado no mercado.

    Confira, neste conteúdo, como estruturar sua precificação de forma correta, conhecer os principais métodos utilizados e conferir exemplos práticos para tomar decisões mais seguras e estratégicas.

    Os fundamentos da precificação: custos, despesas e margens

    Antes de aplicar qualquer método de precificação, é essencial entender a estrutura de custos e despesas da empresa. Essa base é o que garante que o preço definido cubra todos os gastos e ainda gere lucro.

    Custos fixos

    Custos fixos são aqueles que não variam conforme o volume de produção ou vendas em determinado período. Mesmo que a empresa venda pouco ou muito, eles permanecem praticamente os mesmos.

    Exemplos:

    • Aluguel: valor mensal do espaço físico;

    • Salários administrativos: equipe que não atua diretamente na produção;

    • Depreciação de equipamentos: perda de valor de máquinas ao longo do tempo;

    • Contas básicas: internet, telefone e parte da energia elétrica quando não variam significativamente com a produção.

    Esses custos precisam ser diluídos no preço final dos produtos ou serviços.

    Custos variáveis

    Custos variáveis aumentam ou diminuem de acordo com o volume de produção ou vendas. Quanto maior o volume, maior o custo.

    Exemplos:

    • Matéria-prima: ingredientes, componentes ou insumos;

    • Comissão de vendas: percentual pago por venda realizada;

    • Embalagens: custo unitário por produto;

    • Frete: valor de entrega por venda;

    • Impostos sobre vendas: ICMS, PIS, COFINS e ISS incidentes sobre o faturamento.

    Esses custos impactam diretamente o preço unitário.

    Despesas

    Enquanto os custos estão ligados à produção, as despesas estão relacionadas à manutenção e à estrutura do negócio. Elas também podem ser fixas ou variáveis.

    Exemplos:

    • Despesas administrativas: salários gerenciais, material de escritório, serviços terceirizados;

    • Despesas comerciais: marketing, publicidade, eventos e viagens;

    • Despesas financeiras: juros, taxas bancárias e encargos.

    Ignorar as despesas na formação do preço é um dos erros mais comuns na precificação.

    Margem de lucro

    A margem de lucro representa o percentual que sobra da receita após a dedução dos custos e despesas. É o que garante a sustentabilidade e o crescimento da empresa. Entre os principais tipos de margem estão:

    • Margem bruta: receita menos custos variáveis;

    • Margem líquida: receita menos todos os custos, despesas e impostos.

    Definir uma margem adequada é essencial para manter a competitividade sem comprometer a rentabilidade.

    Ponto de equilíbrio

    O ponto de equilíbrio indica o volume mínimo de vendas necessário para cobrir todos os custos e despesas, sem gerar lucro nem prejuízo. Conhecer esse indicador permite:

    • Definir metas realistas de vendas;

    • Ajustar preços com segurança;

    • Planejar estratégias promocionais sem comprometer o caixa.

    Sem esse cálculo, a empresa pode vender muito e ainda assim não ter lucro.

    Aproveite e aprenda também como oferecer descontos e preservar uma margem de lucro saudável.

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    Métodos de precificação essenciais para o seu negócio

    Com os fundamentos bem definidos, é hora de entender os principais métodos de precificação. Cada estratégia possui objetivos e aplicações específicas, e a escolha ideal depende do tipo de produto, do posicionamento da marca, da estrutura de custos e do comportamento do mercado.

    1. Precificação baseada em custos (Markup)

    É o método mais utilizado por pequenas e médias empresas, principalmente pela simplicidade.

    Conceito: o preço de venda é calculado adicionando uma margem de lucro sobre o custo total do produto ou serviço.

    Fórmula do Markup:

    Preço de Venda = Custo Total × (1 + Markup)

    Ou:

    Markup = (Preço de Venda − Custo Total) ÷ Custo Total

    Vantagens

    • Fácil de aplicar;

    • Garante cobertura dos custos;

    • Oferece previsibilidade de margem mínima.

    Desvantagens

    • Ignora concorrência;

    • Não considera valor percebido;

    • Pode gerar preços desalinhados com o mercado.

    Exemplo: bolo artesanal

    Custos variáveis:

    • Ingredientes: R$ 15,00

    • Embalagem: R$ 3,00

    • Mão de obra direta: R$ 7,00

    Total de custos variáveis: R$ 25,00

    Despesas variáveis (impostos e comissão): R$ 5,00

    Custo total por bolo: R$ 30,00

    Markup desejado: 50%

    Cálculo:

    • Preço de Venda = 30,00 × 1,50

    • Preço de Venda = R$ 45,00

    O próximo passo sempre deve ser validar se o mercado aceita esse preço.

    2. Precificação por margem de contribuição

    Mais estratégica que o markup, essa abordagem avalia quanto cada venda contribui para pagar os custos fixos e gerar lucro.

    Conceito: Margem de contribuição é o valor que sobra após a dedução dos custos e despesas variáveis.

    Fórmula da Margem de Contribuição:

    Margem de Contribuição = Preço de Venda − (Custos Variáveis + Despesas Variáveis)

    Fórmula do Preço de Venda com margem desejada:

    Preço de Venda = (Custos Variáveis + Despesas Variáveis) ÷ (1 − % Margem de Contribuição)

    Vantagens

    • Permite analisar rentabilidade por produto;

    • Auxilia na definição de descontos;

    • Fundamental para calcular o ponto de equilíbrio.

    Desvantagens

    • Exige controle financeiro rigoroso;

    • Mais complexo que o markup.

    Exemplo: Serviço de consultoria

    Custos variáveis por hora:

    • Salário proporcional: R$ 50,00

    • Deslocamento: R$ 10,00

    Total: R$ 60,00

    Margem desejada: 60%

    Cálculo:

    • Preço de Venda = 60 ÷ (1 − 0,60)

    • Preço de Venda = 60 ÷ 0,40

    • Preço de Venda = R$ 150,00

    Cada hora vendida gera R$ 90,00 de contribuição.

    3. Precificação baseada na concorrência

    Aqui o foco está no mercado.

    Conceito: o preço é definido com base no que os concorrentes praticam.

    A empresa pode optar por:

    • Preço igual;

    • Preço abaixo (penetração);

    • Preço acima (posicionamento premium).

    Vantagens:

    • Fácil aplicação;

    • Mantém competitividade;

    • Útil em mercados padronizados.

    Desvantagens:

    • Pode ignorar seus custos reais;

    • Pode iniciar guerra de preços;

    • Reduz diferenciação.

    Exemplo: Smartphone

    Os concorrentes vendem por R$ 2.500,00.

    Estratégias possíveis:

    • R$ 2.450,00 para competir por preço;

    • R$ 2.600,00 oferecendo garantia estendida e suporte exclusivo.

    4. Precificação baseada no valor percebido

    É o método mais estratégico e lucrativo quando bem aplicado.

    Conceito: o preço é definido pelo valor que o cliente enxerga, não apenas pelos custos.

    Fatores que influenciam:

    • Benefício financeiro;

    • Economia de tempo;

    • Exclusividade;

    • Marca;

    • Experiência.

    Vantagens:

    • Maior potencial de lucro;

    • Fortalece posicionamento;

    • Reduz sensibilidade a preço.

    Desvantagens:

    • Exige pesquisa e entendimento profundo do cliente;

    • Pode ser difícil mensurar o valor percebido.

    Exemplo: software de gestão

    • O software gera economia de R$ 10.000,00 por mês.

    • Em vez de precificar apenas pelo custo de desenvolvimento, pode ser vendido por R$ 5.000,00 mensais.

    • O cliente ainda ganha R$ 5.000,00 líquidos por mês, enquanto a empresa captura parte do valor gerado.

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    Fatores adicionais que influenciam na precificação

    Além dos métodos matemáticos, existem variáveis estratégicas que impactam diretamente a formação do preço. Ignorar esses elementos pode comprometer tanto a competitividade quanto a rentabilidade do negócio.

    Posicionamento de mercado

    O preço comunica o posicionamento. Se a empresa deseja ser percebida como premium, inovadora ou exclusiva, o valor praticado deve refletir essa proposta. Marcas de luxo, por exemplo, utilizam preços mais elevados não apenas para cobrir custos, mas para reforçar percepção de qualidade e diferenciação.

    Por outro lado, negócios com proposta econômica precisam manter coerência entre preço e promessa de valor.

    Ciclo de vida do produto

    O preço não precisa ser estático. Ele pode evoluir conforme o estágio do produto no mercado.

    • Lançamento: pode-se adotar preço de penetração (baixo para ganhar mercado) ou de desnatação (alto para maximizar lucro inicial).

    • Crescimento: ajustes podem ocorrer conforme a demanda aumenta.

    • Maturidade: a concorrência tende a pressionar os preços.

    • Declínio: estratégias promocionais podem ser necessárias.

    A precificação deve acompanhar o momento estratégico do produto.

    Elasticidade da demanda

    Elasticidade mede o quanto o consumidor reage a mudanças de preço.

    • Demanda elástica: pequenas variações no preço impactam significativamente as vendas.

    • Demanda inelástica: o consumidor é menos sensível ao preço.

    Produtos essenciais costumam ter menor elasticidade, enquanto itens substituíveis tendem a ser mais sensíveis.

    Entender esse comportamento ajuda a definir até onde é possível ajustar preços sem comprometer o volume de vendas.

    Objetivos estratégicos da empresa

    Preço e estratégia caminham juntos. Se o objetivo for:

    • Maximizar o lucro, o preço tende a ser mais elevado.

    • Ganhar participação de mercado, pode-se reduzir margens temporariamente.

    • Sobreviver em período de crise, o foco pode ser geração de caixa.

    • Atrair novos clientes, promoções estratégicas podem ser adotadas.

    A precificação deve refletir o momento do negócio.

    Legislação e tributação

    Impostos como ICMS, IPI, PIS, COFINS e ISS impactam diretamente no preço final. Uma precificação sem cálculo tributário adequado pode corroer margens silenciosamente.

    Além disso, mudanças trazidas pela reforma tributária exigirão ainda mais atenção à formação de preços, principalmente com a transição para IBS e CBS. Preço mal calculado pode significar prejuízo invisível.

    Aproveite e aprenda a como calcular o IBS e a CBS na emissão de notas fiscais a partir de 2026.

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    5 erros comuns na precificação e como evitá-los

    Mesmo com o conhecimento dos métodos, é comum que empreendedores cometam erros na precificação. Identificá-los é o primeiro passo para evitá-los:

    1. Ignorar custos fixos

    Focar apenas nos custos variáveis e esquecer de ratear os custos fixos pode levar a um preço que não cobre todas as despesas da empresa.

    2. Copiar preços da concorrência sem análise

    Cada empresa tem uma estrutura de custos e um posicionamento único. Copiar o preço do concorrente sem considerar suas próprias particularidades pode ser desastroso.

    3. Não revisar preços periodicamente

    O mercado, os custos e a concorrência mudam constantemente. A precificação deve ser um processo contínuo de revisão e ajuste.

    4. Focar apenas no preço e não no valor

    Reduzir o preço indiscriminadamente para atrair clientes pode desvalorizar o produto e a marca. É fundamental comunicar o valor e os diferenciais do que está sendo oferecido.

    5. Não considerar a percepção do cliente

    O preço deve estar alinhado ao que o cliente está disposto a pagar e ao valor que ele percebe no produto ou serviço.

    A precificação correta é alma do negócio

    Precificar corretamente não é apenas definir um número, mas sim tomar uma decisão que impacta diretamente a lucratividade, o posicionamento e a sustentabilidade da empresa.

    Quando bem estruturada, a precificação equilibra custos, mercado, percepção de valor e objetivos estratégicos. Ela garante cobertura das despesas, protege as margens e fortalece a competitividade.

    Não existe fórmula universal. Cada negócio possui estrutura, público e momento diferentes, por isso, o mais inteligente é combinar métodos, testar abordagens, acompanhar indicadores e revisar preços periodicamente.

    Precificação não é evento isolado. É um processo contínuo de análise, ajuste e aprendizado. Empresas que dominam essa disciplina transformam produtos em valor percebido e vendas em lucro consistente.

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