O que é o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP)?
Entenda o que é CFOP: o código de 4 dígitos que define o imposto da sua nota fiscal. Veja como interpretar cada dígito, como usar a tabela e quais erros evitar. Confira!

"Afinal, o que é CFOP? Por que um código errado pode fazer você pagar mais imposto? Como saber qual usar em cada operação?"
A dúvida é mais comum do que parece, especialmente na hora de emitir a primeira nota fiscal.
Neste artigo, você vai entender o que é CFOP: um código de 4 dígitos obrigatório em notas fiscais que identifica a origem e o destino de cada mercadoria ou serviço, com impacto direto no ICMS e no IPI. Veja como interpretar cada dígito, como consultar a tabela e quais erros evitar.

O que é CFOP e por que ele importa?
O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) é um código numérico obrigatório em notas fiscais, guias e livros de entradas e saídas. Ele identifica a natureza de cada operação: de onde veio um produto, para onde foi, se houve tributação de ICMS ou IPI e qual foi o destino final da mercadoria ou serviço.
O código existe para que o Fisco possa rastrear operações e prestações realizadas pelos contribuintes do IPI e do ICMS com maior precisão. O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incide sobre produtos nacionais e estrangeiros. O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é de competência estadual e incide sobre a circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação. As alíquotas internas do ICMS são fixadas por cada unidade federativa; as interestaduais podem ser de 7% ou 12%, e as importações do exterior têm alíquota de 4%.
A depender do código informado, o valor do imposto calculado muda. Um CFOP errado pode fazer sua empresa pagar mais imposto do que o devido ou gerar inconsistências nos dados que atraem penalidades do Fisco. Além do impacto tributário, o CFOP também controla a movimentação de estoque e o registro financeiro da operação.
Quer entender como o ICMS funciona e como ele é calculado na prática? Confira nosso artigo completo sobre ICMS: como funciona, quem paga e como fazer o pagamento.
Como os 4 dígitos do CFOP funcionam
O CFOP é composto por 4 dígitos, e cada posição carrega uma informação específica sobre a operação:
Dígito | O que indica |
1º | Origem da transação: entrada ou saída |
2º | Propriedade da mercadoria: bruta, industrializada ou semielaborada |
3º | Tributação de ICMS: se se aplica ou não |
4º | Destino da mercadoria: operação interna, interestadual ou exportação |
Dentro de cada posição, os valores de 0 a 9 têm significados específicos definidos pela legislação. Não é necessário decorar todos os códigos. O mais importante é entender a estrutura e saber ler o primeiro dígito para localizar rapidamente a informação na tabela de CFOP.
Na hora de emitir a nota fiscal, a numeração precisa ser correta. Um bom sistema de emissão sugere o CFOP com base no regime tributário da empresa e no tipo de operação, reduzindo o risco de erro manual., a numeração deve ser correta, mas não nos compete decorar todos os códigos; o principal é entender sua estrutura e avaliar o início do CFOP para consultar a tabela.
Como ler a tabela de CFOP
A tabela de CFOP reúne todos os códigos e seus significados dentro do rastreamento realizado pelo Fisco. Para encontrar o código correto com agilidade, o caminho mais direto é olhar para o primeiro dígito: ele divide todas as operações em dois grandes grupos.
Notas de entrada ou aquisição usam os dígitos de 1 a 3:
Código | Significado |
1.000 | Entrada ou aquisição dentro do mesmo estado |
2.000 | Entrada ou aquisição de outro estado |
3.000 | Entrada ou aquisição do exterior |
Notas de saída ou prestação de serviços usam os dígitos de 5 a 7:
Código | Significado |
5.000 | Saída ou prestação de serviço dentro do mesmo estado |
6.000 | Saída ou prestação de serviço para outro estado |
7.000 | Saída ou prestação de serviço para o exterior |
Sempre que você identificar o primeiro número, já sabe se está diante de uma operação de entrada (1, 2 ou 3) ou de saída (5, 6 ou 7) e em qual abrangência geográfica. A partir disso, os dígitos seguintes especificam a natureza exata da mercadoria e da tributação envolvida.

Como usar o CFOP no dia a dia?
Identificar os CFOPs mais utilizados na sua operação e cadastrá-los no sistema de emissão de notas é uma das formas mais práticas de agilizar o processo e reduzir erros. Uma vez que esses códigos estejam configurados, o próprio sistema sugere o CFOP correto com base no tipo de operação.
Um ponto de atenção: o Convênio ICMS nº 109/2024 alterou as regras de cobrança do ICMS para transferências de mercadorias entre estabelecimentos. Dependendo do estado em que sua empresa opera, essa mudança pode afetar o terceiro dígito do CFOP. As principais alterações envolvem:
Transferências entre estabelecimentos não tributadas
Créditos de ICMS das operações anteriores que devem ser transferidos para o estabelecimento destinatário
Impossibilidade de aplicar benefícios fiscais como isenção e redução de base de cálculo
Consulte seu contador ou a equipe de suporte fiscal para verificar se seu estado aderiu ao convênio e como isso afeta os códigos que você utiliza.
Outro ponto prático: notas fiscais de devolução e anulação de mercadoria são identificadas a partir do segundo dígito com valores entre 200 e 209. O que muda é apenas o primeiro dígito: 1.200, 2.200, 5.200 e 6.200, por exemplo. Isso facilita a identificação dessas operações na consulta à tabela.
Sua empresa já emitiu uma nota fiscal com erro de preenchimento? Veja como corrigir e como evitar novos erros.
3 erros comuns com o CFOP
Erro 1: usar o CFOP de saída interestadual em uma venda dentro do estado
Informar o código 6.000 (saída interestadual) em uma venda para um cliente no mesmo estado gera inconsistência na escrituração fiscal e altera o cálculo do ICMS. A alíquota interestadual é de 7% ou 12%, enquanto as alíquotas internas variam conforme cada unidade federativa. O resultado pode ser pagamento maior ou menor do que o devido.
Erro 2: não revisar o CFOP após mudanças regulatórias
O Convênio ICMS nº 109/2024 é um exemplo recente: ele alterou como as transferências entre estabelecimentos devem ser registradas. Empresas que não revisaram os códigos utilizados podem estar gerando documentos com CFOP desatualizado, o que cria inconsistência entre a escrituração e o que o Fisco espera ver.
Erro 3: registrar devolução com CFOP de venda comum
Devoluções e anulações têm códigos específicos (séries 200 a 209). Registrar uma devolução com um CFOP de venda comum cria registros conflitantes no livro de entradas e saídas e pode comprometer o controle de estoque e o aproveitamento de créditos de ICMS.
Entender o CFOP é o primeiro passo para emitir notas fiscais sem erro. Com um emissor que valida os dados antes de transmitir para a SEFAZ, o risco de usar um código incorreto cai significativamente. Teste o Treeunfe NFe gratuitamente por 7 dias, sem compromisso e sem necessidade de cartão de crédito.
