A Reforma Tributária já começou.Entenda como se preparar!

    Sistema Tributário Brasileiro e o funcionamento nas empresas

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    sistema tributario

    O Sistema Tributário Brasileiro (STB) é um dos temas mais desafiadores para o empresariado nacional. Sua complexidade vai além da elevada carga tributária e está diretamente ligada à extensa rede de leis, normas e obrigações acessórias que impactam a rotina fiscal das empresas.

    Compreender a estrutura e os princípios que sustentam esse sistema é o primeiro passo para transformar a conformidade fiscal em um ativo estratégico para reduzir riscos, evitar autuações e apoiar decisões mais seguras.

    Esse entendimento se torna ainda mais importante diante da Emenda Constitucional nº 132/2023, que institui a reforma tributária sobre o consumo. A partir de 2026, o país inicia uma transição para um novo modelo de tributação, exigindo que as empresas revisem processos, sistemas e estratégias à luz dos fundamentos do sistema tributário.

    A fundação constitucional do sistema tributário brasileiro

    O Sistema Tributário Brasileiro é estruturado a partir de princípios e regras definidos na Constituição Federal de 1988. Esses fundamentos têm um papel essencial de garantir segurança jurídica ao contribuinte e limitar o poder de tributar do Estado.

    Compreender esses princípios é fundamental não apenas para cumprir obrigações fiscais, mas também para embasar decisões estratégicas e reduzir riscos.

    Princípios constitucionais essenciais

    Os princípios constitucionais funcionam como verdadeiras balizas do Direito Tributário e impactam diretamente o planejamento empresarial:

    • Legalidade: nenhum tributo pode ser criado ou majorado sem que exista uma lei que o institua.

    • Anterioridade: como regra geral, o tributo não pode ser cobrado no mesmo exercício financeiro em que a lei que o criou ou aumentou foi publicada.

    • Irretroatividade: a legislação tributária não pode retroagir para alcançar fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência.

    • Não confisco: a carga tributária não pode ser excessiva a ponto de comprometer o patrimônio ou a renda do contribuinte.

    Esses princípios atuam como mecanismos de proteção ao empresário e garantem previsibilidade na relação entre as empresas e o Fisco.

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    A repartição de competências tributárias

    Grande parte da complexidade do Sistema Tributário Brasileiro decorre da divisão de competências entre os três níveis de governo: União, Estados e Municípios. Cada ente possui autonomia para instituir e arrecadar seus próprios tributos.

    Esfera de Competência

    Tributos de Maior Impacto Empresarial

    União (Federal)

    IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI, IOF.

    Estados (Estadual)

    ICMS, IPVA, ITCMD.

    Municípios (Municipal)

    ISS, IPTU, ITBI.

    Essa fragmentação obriga as empresas a lidarem simultaneamente com três legislações distintas, diferentes órgãos fiscalizadores e múltiplas obrigações acessórias, um dos principais fatores que elevam o chamado “Custo Brasil”.

    A estrutura dos impostos: diretos, indiretos e o efeito cascata

    Os tributos podem ser classificados, de forma geral, em diretos e indiretos, conforme quem suporta o ônus financeiro da cobrança.

    Impostos diretos

    São aqueles que incidem diretamente sobre a renda ou o patrimônio do contribuinte. Nesse caso, o custo do imposto é assumido pela própria empresa, sem possibilidade de repasse a terceiros.

    Exemplos clássicos são o IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).

    Impostos indiretos

    Já os impostos indiretos incidem sobre o consumo e a produção. Embora sejam recolhidos pelas empresas, o custo é, em regra, repassado ao consumidor final por meio do preço do produto ou serviço. Neste grupo estão tributos como ICMS, ISS, PIS e COFINS.

    Essa distinção é fundamental para entender a formação de preços e o impacto da carga tributária ao longo da cadeia econômica.

    O problema da cumulatividade (efeito cascata)

    Uma das maiores distorções do sistema tributário atual está na forma como alguns impostos indiretos são cobrados. Tributos como PIS e COFINS no regime cumulativo, além do ICMS e do IPI que, apesar de serem não cumulativos, possuem regras restritivas e complexas de crédito, acabam gerando distorções relevantes.

    Esse fenômeno é conhecido como efeito cascata.

    O efeito cascata ocorre quando o imposto incide sobre o valor total da operação em cada etapa da cadeia produtiva, incluindo o imposto pago anteriormente. Na prática, isso significa que há tributação sobre tributação, elevando artificialmente o preço final de bens e serviços.

    Além de encarecer produtos, esse modelo prejudica a competitividade das empresas e torna o sistema pouco transparente.

    É justamente por isso que a busca por um modelo de não cumulatividade plena se tornou o principal motor da reforma tributária, com o objetivo de eliminar o efeito cascata e tornar a economia mais eficiente, previsível e equilibrada.

    O funcionamento nas empresas: a decisão estratégica do regime

    A forma como o Sistema Tributário Brasileiro se aplica a uma empresa é definida, principalmente, pela escolha do regime tributário. 

    Essa decisão vai muito além do simples cumprimento de obrigações fiscais: trata-se de uma decisão estratégica, que impacta diretamente a carga tributária, a competitividade e a complexidade operacional do negócio.

    Regime tributário

    Foco da tributação

    Consequência fiscal

    Simples Nacional

    Receita Bruta (Unificada)

    Simplificação máxima e redução da carga para MPEs.

    Lucro Presumido

    Receita Bruta (Presunção de Lucro)

    PIS/COFINS cumulativos. Ideal para empresas com alta margem de lucro e poucos custos dedutíveis.

    Lucro Real

    Lucro Contábil Efetivo

    PIS/COFINS não-cumulativos. Ideal para empresas com baixa margem de lucro, grandes despesas ou prejuízo fiscal.

    Uma escolha inadequada pode resultar no pagamento de impostos muito acima do necessário, comprometendo margens, fluxo de caixa e a competitividade da empresa.

    Aproveite e confira como enquadrar a empresa corretamente com o nosso post sobre os modelos Simples Nacional Híbrido, Lucro Presumido ou Lucro Real.

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    A reforma tributária: a mudança de paradigma (EC 132/2023)

    A reforma tributária não é apenas uma atualização; é uma mudança de paradigma que visa simplificar o sistema de impostos sobre o consumo, alinhando o Brasil às práticas internacionais.

    O IVA Dual e a substituição de tributos

    O núcleo da reforma é a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA Dual), que substituirá cinco tributos hoje existentes:

    • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): IVA de competência federal;

    • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): IVA de competência estadual e municipal.

    Os pilares da nova estrutura

    O novo modelo se apoia em três pilares conceituais que impactarão diretamente o funcionamento das empresas:

    Não cumulatividade plena

    O direito a crédito será amplo e imediato, abrangendo praticamente todas as aquisições de bens e serviços utilizados na atividade econômica. O objetivo é eliminar o efeito cascata e reduzir distorções na formação de preços.

    Cobrança no destino

    O imposto será devido no local onde o bem ou serviço é consumido e não mais na origem. Essa mudança é fundamental para acabar com a guerra fiscal entre estados e municípios.

    Base ampla e alíquota única (regra geral)

    A proposta é trabalhar com uma alíquota única (ou poucas alíquotas) para cada IVA, simplificando cálculos, apuração e gestão fiscal.

    A adaptação necessária

    A transição para o novo sistema, que começa em 2026, exige que as empresas invistam em tecnologia, conhecimento e revisão de processos. A emissão de notas fiscais, por exemplo, precisará ser ajustada para:

    • destacar corretamente CBS e IBS;

    • atender aos novos leiautes fiscais;

    • gerenciar o novo modelo de créditos tributários.

    Empresas que se anteciparem às mudanças e trabalharem com um emissor de documentos fiscais atualizado para a reforma terão vantagem competitiva durante o período de transição.

    Aproveite e atualize-se sobre como serão calculados os novos impostos nas notas fiscais a partir de 2026.

    O papel da tecnologia e da gestão fiscal

    Diante da complexidade atual e das mudanças futuras, uma gestão fiscal eficiente deixa de ser apenas operacional e passa a ser estratégica. E a tecnologia tem papel central nesse processo, principalmente quando tratamos de:

    • Automatização: mantendo a emissão de documentos fiscais alinhada à legislação federal, estadual e municipal;

    • Organização e gerenciamento de créditos fiscais: preparando o negócio para a não cumulatividade plena;

    • Redução de erros e retrabalho: diminuindo riscos de multas e autuações e liberando o contador para análises mais estratégicas.

    Compreender a estrutura do Sistema Tributário Brasileiro e investir em ferramentas adequadas é essencial para manter a conformidade e otimizar a carga tributária, tanto no cenário atual quanto no cenário pós-reforma.

    Prepare-se para a revolução tributária com a Treeunfe

    A reforma tributária é a maior transformação fiscal das últimas décadas. A transição que começa em 2026 exigirá adaptação a novas regras, novos leiautes de notas fiscais e novas obrigações acessórias.

    Para ajudar sua empresa a se preparar desde já, a Treeunfe desenvolveu um material completo e prático. Baixe agora nosso Guia Completo da Reforma Tributária e prepare-se para as mudanças que começam em 2026.

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