A Reforma Tributária está em vigor.Entenda como se preparar!

    Custo Brasil: o que é e como afeta as empresas brasileiras

    Publicado em

    Bandeira do Brasil hasteada na cidade de São Paulo

    O Custo Brasil é um termo utilizado para definir o conjunto de entraves estruturais, burocráticos e econômicos que encarecem a produção e a operação das empresas no país, reduzindo sua competitividade no mercado interno e internacional.

    O Custo Brasil impacta diretamente o crescimento econômico, a geração de empregos e a capacidade do país de atrair investimentos. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), esse conjunto de ineficiências impõe um peso anual de cerca de R$ 1,7 trilhão, o equivalente a aproximadamente 20% do PIB brasileiro. Trata-se de uma perda expressiva, que limita o potencial de desenvolvimento do país.

    Para as empresas brasileiras, o Custo Brasil não é uma abstração, mas uma realidade diária que se manifesta em cada nota fiscal emitida, em cada caminhão parado na estrada e em cada hora gasta com a complexa legislação. Continue a leitura e confira mais sobre esse conceito que afeta a sua empresa.

    O que é o Custo Brasil?

    O Custo Brasil pode ser definido como a diferença entre o custo de produzir um bem ou serviço no Brasil e o custo de produzir o mesmo bem ou serviço em países de referência, especialmente aqueles que competem diretamente com a economia brasileira ou apresentam maior eficiência econômica.

    Em termos práticos, ele representa o conjunto de ineficiências sistêmicas que encarecem a atividade empresarial no país.

    Esse fenômeno tem raízes históricas. Ao longo das décadas, o Brasil adotou um modelo de desenvolvimento marcado por forte intervenção estatal, proteção de mercados e pela construção de um sistema tributário e regulatório altamente complexo. 

    O termo ganhou maior relevância nas décadas de 1980 e 1990, quando a abertura econômica expôs as empresas nacionais à concorrência internacional, evidenciando as desvantagens competitivas criadas por esses entraves internos.

    É importante distinguir os custos normais de produção, como matéria-prima, mão de obra e energia, e custos com burocracias. 

    Enquanto os primeiros fazem parte da realidade de qualquer negócio, em qualquer país, o Custo Brasil corresponde a um sobrecusto imposto por fatores externos à gestão empresarial, como excesso de burocracia, infraestrutura deficiente, insegurança jurídica e complexidade tributária.

    Por isso, a redução do Custo Brasil não depende apenas de melhorias internas, já que trata-se de um desafio estrutural que exige reformas profundas do Estado para simplificar regras, modernizar a tributação e criar um ambiente mais favorável ao crescimento sustentável.

    Banner Treeunfe NFe 04

    Os 5 pilares do Custo Brasil: componentes que elevam o preço final

    O Custo Brasil não é um problema isolado ou causado por um único fator. Ele é resultado da combinação de diversos entraves estruturais que, juntos, encarecem a produção, reduzem a produtividade e afetam diretamente o preço final de bens e serviços no país.

    Compreender esses componentes é essencial para dimensionar o problema e entender por que reformas estruturais — como a reforma tributária — são tão discutidas. De forma geral, o Custo Brasil se sustenta sobre cinco pilares principais: carga tributária, logística e infraestrutura, burocracia, custo do capital e custo trabalhista.

    1. O peso da carga tributária

    A carga tributária é amplamente reconhecida como o principal pilar do Custo Brasil. No entanto, o problema vai além do percentual arrecadado: o grande desafio está na complexidade do sistema tributário brasileiro.

    O país convive com dezenas de tributos federais, estaduais e municipais, cada um com regras próprias de apuração, regimes especiais, substituição tributária e constantes alterações legislativas. Esse cenário gera o chamado “custo de conformidade", ou “tempo-empresa”: o tempo e os recursos que as empresas precisam dedicar apenas para cumprir obrigações fiscais.

    Segundo o relatório Doing Business do Banco Mundial, os negócios no Brasil gastam, em média, 1.501 horas por ano para calcular e pagar impostos, um número muito superior à média da América Latina e dos países da OCDE.

    Indicador

    Brasil

    América Latina

    OCDE

    Horas/ano para pagar impostos

    1.501

    315

    160

    Número de pagamentos

    10

    27

    11

    Carga total (% do lucro)

    65,1%

    46,6%

    40,2%

    Além disso, a tributação em cascata e a guerra fiscal entre estados e municípios distorcem decisões de investimento, aumentam a insegurança jurídica e obrigam empresas a manter estruturas complexas de contabilidade e assessoria jurídica apenas para navegar no sistema fiscal.

    Você já sabe quais são as obrigações fiscais de uma empresa? Confira a lista e também a agenda fiscal para o ano de 2026.

    2. Ineficiência logística e infraestrutura precária

    O segundo pilar do Custo Brasil está na infraestrutura logística deficiente. Apesar de suas dimensões continentais, o Brasil depende majoritariamente do transporte rodoviário, um modal caro, lento e vulnerável.

    Essa ineficiência se reflete em diversos pontos:

    • Rodovias em más condições, que elevam custos de manutenção, combustível e tempo de transporte;

    • Portos e aeroportos com gargalos operacionais, altos custos e processos burocráticos lentos;

    • Energia e telecomunicações com custos elevados e instabilidade, impactando diretamente a operação das empresas.

    Estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) indicam que os custos logísticos no Brasil estão entre os mais altos do mundo, consumindo uma parcela significativa do PIB e sendo repassados diretamente ao preço final dos produtos.

    3. Burocracia excessiva e custo de conformidade

    A burocracia é um entrave presente em todas as fases da vida empresarial: abertura, operação e encerramento de empresas. Processos lentos, exigências redundantes e a falta de padronização entre entes federativos criam um ambiente de insegurança jurídica e ineficiência.

    A obtenção de licenças, alvarás e autorizações pode levar meses — ou até anos — atrasando investimentos e gerando custos antes mesmo do início das atividades. Além disso, o excesso de normas obriga a manter equipes internas ou contratar consultorias externas apenas para garantir conformidade regulatória.

    Esse cenário desvia o foco da gestão empresarial para questões administrativas, afetando especialmente micro e pequenas empresas, que possuem menos recursos para lidar com essa complexidade.

    Você sabe como abrir uma Microempresa (ME)? Confira o guia completo da Treeunfe!

    4. O custo do capital e do financiamento

    O alto custo do crédito é outro componente central do Custo Brasil. As taxas de juros elevadas, utilizadas como instrumento de controle inflacionário, encarecem empréstimos, financiamentos e capital de giro.

    Somado a isso, o spread bancário elevado, a concentração do sistema financeiro e o risco econômico fazem com que o acesso ao crédito seja limitado e caro. Para muitas empresas, especialmente MPEs, isso significa menor capacidade de investir, inovar e crescer.

    A instabilidade econômica e o risco-país também afetam o custo do capital estrangeiro, tornando grandes projetos de infraestrutura e expansão produtiva mais caros e difíceis de viabilizar.

    5. O custo trabalhista e a insegurança jurídica

    Por fim, o custo trabalhista no Brasil vai além do salário pago ao empregado. Encargos sociais e previdenciários elevam significativamente o custo da contratação formal, podendo praticamente dobrar o valor do salário bruto.

    Além disso, a complexidade da legislação trabalhista e a alta litigiosidade geram insegurança jurídica. Mesmo após a Reforma Trabalhista de 2017, muitas empresas continuam a provisionar recursos para possíveis passivos trabalhistas.

    Esse ambiente desestimula a contratação formal, reduz investimentos em qualificação e contribui para a informalidade e a baixa produtividade (fatores que retroalimentam o próprio Custo Brasil).

    Aproveite e leia também sobre a Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (DEFIS), uma obrigação anual das empresas optantes pelo Simples Nacional.

    Banner fino Treeunfe NFe 02

    Como o Custo Brasil afeta a competitividade das empresas?

    Os efeitos do Custo Brasil se espalham por toda a operação empresarial. Ele influencia diretamente a formação de preços, a capacidade de competir no mercado internacional, a atração de investimentos e o potencial de inovação das empresas brasileiras.

    Impacto na formação de preços e na inflação

    O Custo Brasil é, inevitavelmente, repassado ao preço final de produtos e serviços

    Quando uma empresa enfrenta custos elevados com impostos, logística ineficiente, burocracia e crédito caro, esses valores precisam ser incorporados ao preço cobrado do consumidor.

    O resultado é um mercado interno com preços mais altos, menor competitividade e impacto direto sobre a inflação. No fim da cadeia, é o consumidor quem arca com esse sobrecusto, tendo seu poder de compra reduzido. 

    Em termos macroeconômicos, o Custo Brasil funciona como um imposto invisível pago por toda a sociedade.

    Perda de competitividade no mercado internacional

    No comércio exterior, o impacto é ainda mais sensível. Produtos brasileiros chegam ao mercado internacional carregando custos elevados de produção, logística e tributação, o que dificulta a concorrência com países que possuem sistemas mais simples e eficientes.

    Mesmo quando a qualidade é equivalente, o preço final tende a ser maior. Isso reduz a competitividade das exportações brasileiras, limita a participação do país no comércio global e diminui a entrada de divisas na economia.

    Desestímulo ao investimento estrangeiro

    O Brasil concorre diretamente com outros países pela atração de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Nesse processo, investidores avaliam retorno esperado, segurança jurídica e custos operacionais.

    O Custo Brasil atua como um fator de desestímulo: alta carga tributária, complexidade regulatória, burocracia e insegurança jurídica elevam o risco do investimento e reduzem a atratividade do país

    Como consequência, parte do capital estrangeiro é direcionada a economias com ambientes de negócios mais previsíveis e eficientes.

    Freio à inovação e à produtividade

    Outro efeito direto do Custo Brasil é a redução da capacidade de investimento em inovação, tecnologia e produtividade. Recursos que poderiam ser destinados a pesquisa e desenvolvimento, modernização de processos ou capacitação de equipes acabam sendo consumidos por custos de conformidade fiscal, logística ineficiente e juros elevados.

    Esse cenário contribui para a baixa produtividade da economia brasileira, criando um ciclo difícil de romper: margens apertadas reduzem investimentos, a falta de investimento reduz eficiência, e a baixa eficiência mantém os custos elevados.

    Banner Treeunfe NFe 03

    Ações e perspectivas para a redução do Custo Brasil

    A redução do Custo Brasil é um desafio estrutural que exige uma agenda consistente de reformas de longo prazo, além do engajamento coordenado do Estado, do setor produtivo e da sociedade. Não se trata de uma solução pontual, mas de um processo contínuo de modernização institucional e econômica.

    Nesse contexto, a reforma tributária é a principal iniciativa em curso. Ao substituir o atual emaranhado de tributos sobre o consumo por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA Dual), a reforma busca atacar diretamente um dos pilares centrais do Custo Brasil: a complexidade tributária. 

    A simplificação das regras, a adoção da não cumulatividade plena e a redução do tempo gasto com obrigações fiscais têm potencial para diminuir de forma relevante o chamado custo de conformidade, trazendo ganhos de eficiência para empresas de todos os portes.

    Além da reforma tributária, outras frentes são igualmente relevantes para a redução do Custo Brasil:

    • Desburocratização: iniciativas voltadas à digitalização de serviços públicos e à simplificação de processos regulatórios, como a Lei da Liberdade Econômica, contribuem para reduzir prazos, custos administrativos e insegurança jurídica.

    • Investimento em infraestrutura: programas de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) buscam atrair capital privado para ampliar e modernizar rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, atacando diretamente os gargalos logísticos.

    • Reforma do crédito: medidas que ampliem a concorrência no sistema financeiro e reduzam o spread bancário são fundamentais para baratear o custo do capital e facilitar o acesso ao crédito, especialmente para micro, pequenas e médias empresas.

    Aproveite e entenda também como o Sistema Tributário Brasileiro funciona e qual é o impacto nas empresas.

    O caminho para um Brasil mais competitivo

    O Custo Brasil é um entrave histórico e multifacetado que limita o pleno desenvolvimento do potencial econômico do país. Ele encarece a produção, pressiona preços, penaliza o consumidor, reduz a inovação e compromete a competitividade das companhias brasileiras no mercado global.

    Superar esse cenário passa, necessariamente, pela implementação de reformas estruturais capazes de atacar seus principais pilares: complexidade tributária, ineficiência logística, excesso de burocracia e alto custo do capital

    A reforma tributária representa um passo decisivo nesse caminho, mas seus efeitos dependem de uma execução consistente e da continuidade das demais agendas de modernização.

    Para as empresas, enquanto essas transformações avançam, a mitigação do Custo Brasil exige uma gestão cada vez mais eficiente e estratégica, com foco em conformidade fiscal, uso inteligente da tecnologia, otimização logística e planejamento financeiro. 

    Em um ambiente desafiador, a competitividade passa a ser resultado não apenas de preço, mas de organização, eficiência e capacidade de adaptação.

    O futuro de um Brasil mais competitivo depende da transformação desses custos excedentes em ganhos de produtividade, investimento e crescimento sustentável.

    Reduzir o impacto do Custo Brasil começa por uma gestão fiscal eficiente. Conheça o Treeunfe NFe e veja como a tecnologia certa simplifica a emissão de notas, reduz erros e prepara sua empresa para as novas regras fiscais.

    Banner Treeunfe NFe 02

    Perguntas Frequentes