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    CFOP 1101: quando usar o Código de Compra para Industrialização ou Produção Rural

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    No universo da legislação tributária brasileira, a correta classificação fiscal das operações é um dos pilares da conformidade empresarial. Erros nesse processo podem gerar uma série de impactos negativos, como multas, autuações fiscais, inconsistências na apuração de impostos e até problemas no controle de estoque.

    Nesse contexto, o CFOP cumpre um papel essencial ao identificar a natureza da circulação de mercadorias e da prestação de serviços, servindo como base para a correta tributação das operações.

    Para empresas dos setores industrial e rural, o CFOP 1101 – Compra para industrialização ou produção rural é especialmente relevante. Esse código indica que a mercadoria adquirida será utilizada como insumo em um processo produtivo realizado dentro do mesmo estado, e não destinada à revenda direta ou ao consumo final.

    O uso correto do CFOP 1101 vai além da conformidade fiscal. Ele também viabiliza a apropriação adequada de créditos tributários, contribuindo para uma apuração correta dos impostos e impactando diretamente a carga tributária e a saúde financeira da empresa.

    Desvendando o CFOP 1101: estrutura e significado

    O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) é um código numérico de quatro dígitos utilizado para identificar a natureza da circulação de mercadorias ou da prestação de serviços. Ele é indispensável na emissão de documentos fiscais, como a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), e na correta escrituração fiscal das operações da empresa.

    Sua estrutura segue uma lógica padronizada, definida pelo Ajuste SINIEF (Sistema Nacional Integrado de Informações Econômico-Fiscais), em que cada dígito possui um significado específico.

    No caso do CFOP 1101, a composição do código pode ser interpretada da seguinte forma:

    • Primeiro dígito (1): indica que se trata de uma operação de entrada realizada dentro do mesmo estado. Se fosse “2”, representaria uma entrada interestadual; se fosse “3”, uma entrada do exterior.

    • Segundo dígito (1): identifica o tipo de operação, sendo “1” correspondente à compra para industrialização ou produção rural.

    • Terceiro e quarto dígitos (01): detalham a operação, reforçando que a mercadoria adquirida será destinada ao processo produtivo.

    Na prática, o CFOP 1101 deve ser utilizado para registrar a entrada de mercadorias adquiridas de fornecedores localizados no mesmo estado, quando esses itens serão empregados como insumos na industrialização ou na atividade de produção rural do adquirente.

    Essa classificação correta é essencial para a aplicação adequada das regras de tributação, especialmente no que diz respeito ao ICMS, IPI, PIS e COFINS, evitando inconsistências fiscais e garantindo a conformidade da operação.

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    Quando usar o CFOP 1101: Compra para Industrialização

    O CFOP 1101 deve ser utilizado por empresas industriais que adquirem insumos, matérias-primas ou produtos intermediários destinados à transformação dentro do próprio processo produtivo. Nesses casos, a mercadoria não será revendida tal como foi comprada, mas empregada na fabricação de um novo produto.

    A legislação tributária considera industrialização toda operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade de um produto, ou que o aperfeiçoe para consumo. 

    Dentro desse conceito, existem diferentes modalidades que justificam o uso do CFOP 1101. As principais são:

    • Transformação: ocorre quando a operação aplicada sobre matéria-prima ou produto intermediário resulta na obtenção de uma espécie nova. Exemplo: madeira transformada em móveis.

    • Beneficiamento: envolve a modificação, o aperfeiçoamento ou a alteração do funcionamento, da utilização, do acabamento ou da aparência do produto. Exemplo: polimento de metais ou tingimento de tecidos.

    • Montagem: consiste na reunião de peças, partes ou produtos que dão origem a um novo bem ou a uma unidade autônoma. Exemplo: montagem de veículos ou eletrodomésticos.

    • Acondicionamento ou reacondicionamento: ocorre quando há alteração na apresentação do produto por meio de nova embalagem, exceto quando a embalagem tem finalidade exclusiva de transporte. Exemplo: fracionamento de grandes volumes em embalagens menores para comercialização.

    • Renovação ou recondicionamento: aplica-se a produtos usados ou deteriorados que são restaurados para nova utilização. Exemplo: reforma de pneus ou recondicionamento de motores.

    Na prática, o uso do CFOP 1101 é bastante comum em operações industriais. Alguns exemplos ajudam a ilustrar:

    • Uma fábrica de móveis que compra chapas de MDF de um fornecedor localizado no mesmo estado deve registrar essa entrada com CFOP 1101.

    • Uma indústria alimentícia que adquire grãos, temperos e embalagens de produtores ou distribuidores locais também utilizará o CFOP 1101 nessas entradas.

    • Uma empresa de eletrônicos que compra componentes como placas, chips e carcaças de fornecedores internos ao estado, para montagem de computadores, deve registrar a entrada desses itens com CFOP 1101.

    É fundamental diferenciar a compra para industrialização da compra para revenda, classificada pelo CFOP 1102. Se a mercadoria for adquirida com a finalidade de ser revendida sem passar por qualquer processo de industrialização no estabelecimento do comprador, o CFOP correto será o 1102, ainda que o adquirente seja uma indústria.

    Em resumo, a finalidade da mercadoria dentro do estabelecimento do adquirente é o critério determinante para a escolha do CFOP de entrada.

    Aproveite e leia também sobre o Código de Situação Tributária e quando utilizá-lo na emissão fiscal.

    Quando usar o CFOP 1101: Compra para Produção Rural

    Além da industrialização, o CFOP 1101 também abrange a compra de mercadorias destinadas à produção rural. Isso inclui todas as atividades relacionadas à agricultura, pecuária, aquicultura, silvicultura, extração vegetal e animal, entre outras, que visam a obtenção de produtos primários.

    Exemplos práticos de uso do CFOP 1101 em produção rural:

    • Um agricultor compra sementes, mudas, fertilizantes, defensivos agrícolas e adubos de um distribuidor no mesmo estado para sua lavoura. A entrada desses itens será registrada com CFOP 1101.

    • Um pecuarista adquire ração, sal mineral, medicamentos veterinários e material para cerca de fornecedores locais para sua criação de gado. A entrada desses produtos usa CFOP 1101.

    • Uma empresa de aquicultura compra alevinos, ração e equipamentos específicos para a criação de peixes. A entrada desses itens será classificada com CFOP 1101.

    • Um produtor de leite compra material de limpeza e desinfetantes para a ordenha, que são essenciais para a produção e qualidade do leite. A entrada desses materiais usa CFOP 1101.

    É importante ressaltar que o CFOP 1101 se aplica tanto a produtores rurais pessoa física (com Inscrição Estadual) quanto a pessoas jurídicas (empresas rurais). A chave é que a mercadoria adquirida será diretamente empregada na atividade de produção primária, visando a obtenção de um novo produto rural.

    Implicações tributárias do CFOP 1101

    A correta utilização do CFOP 1101 gera impactos tributários relevantes, especialmente no que diz respeito à apropriação de créditos fiscais. Para empresas que operam em regimes de apuração não cumulativos como é o caso do ICMS, do IPI e do PIS/COFINS no Lucro Real, a compra de insumos classificados corretamente permite a recuperação de parte dos tributos pagos na etapa anterior, reduzindo de forma significativa a carga tributária.

    ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)

    Nas aquisições realizadas com CFOP 1101, o adquirente tem direito ao crédito do ICMS destacado na nota fiscal de entrada, desde que a operação esteja vinculada à industrialização ou à produção rural. Esse crédito pode ser compensado com o ICMS devido nas saídas dos produtos resultantes do processo produtivo, evitando a cumulatividade do imposto e contribuindo para a redução do custo final da mercadoria.

    IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)

    Para empresas enquadradas como contribuintes do IPI, a aquisição de insumos com CFOP 1101 também gera direito ao crédito de IPI. Esse valor pode ser utilizado para compensar o imposto devido na saída dos produtos industrializados. É importante destacar que esse crédito só é permitido quando a empresa efetivamente realiza atividades de industrialização, conforme definido pela legislação.

    PIS e COFINS

    No regime não cumulativo de PIS e COFINS, a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo ou na fabricação de bens gera direito a crédito desses tributos. As mercadorias registradas com CFOP 1101 se enquadram nesse conceito, permitindo a apropriação dos créditos e a consequente redução do valor a recolher mensalmente.

    A correta apuração e apropriação desses créditos são fundamentais para a eficiência fiscal da empresa. Um erro na classificação do CFOP pode resultar na perda desses benefícios, aumentando indevidamente o custo de produção e a carga tributária, além de expor o negócio a riscos fiscais em eventuais fiscalizações.

    Você sabe o que é o CSOSN? Acesse e entenda também para que serve esse código do Simples Nacional.

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    Diferenças: CFOP 1101 x outros CFOPs de Entrada

    Para evitar erros, é fundamental entender as distinções entre o CFOP 1101 e outros códigos de entrada que, à primeira vista, podem parecer semelhantes, mas possuem finalidades e implicações tributárias distintas.

    Tabela 3: Comparativo de CFOPs de Entrada Comuns

    CFOP

    Descrição

    Finalidade da Mercadoria

    Geração de Crédito (Exemplos)

    Observações

    1101

    Compra para Industrialização ou Produção Rural

    Será transformada ou utilizada como insumo no processo produtivo dentro do mesmo estado.

    ICMS, IPI, PIS/COFINS

    Essencial para indústrias e produtores rurais.

    1102

    Compra para Comercialização

    Será revendida no mesmo estado, sem passar por processo de industrialização.

    ICMS, PIS/COFINS

    Utilizado por atacadistas e varejistas.

    1556

    Compra de Material para Uso ou Consumo

    Destinada ao uso interno da empresa, não será industrializada nem revendida.

    Geralmente não gera crédito de ICMS/IPI

    Exemplos: material de escritório, limpeza.

    1401

    Compra para Industrialização em Operação com Mercadoria Sujeita ao Regime de Substituição Tributária

    Mercadoria adquirida para industrialização, mas que já veio com ICMS-ST retido.

    Crédito de ICMS-ST (se permitido pela legislação)

    Exige atenção à legislação específica de ST.

    2101

    Compra para Industrialização ou Produção Rural (Interestadual)

    Mesma finalidade do 1101, mas a compra é de outro estado.

    ICMS, IPI, PIS/COFINS

    Primeiro dígito '2' indica operação interestadual.

    CFOP 1101 vs. 1102

    A distinção mais comum é entre o CFOP 1101 e o 1102. A regra é simples: se a mercadoria será transformada ou utilizada como insumo para criar um novo produto (industrialização ou produção rural), use 1101. 

    Se a mercadoria será revendida na mesma forma em que foi adquirida, use 1102. A finalidade da mercadoria no estoque do adquirente é o fator determinante.

    CFOP 1101 x 1556

    O CFOP 1556 é para a compra de materiais de uso e consumo, ou seja, itens que serão utilizados nas atividades administrativas ou operacionais da empresa, mas que não se incorporam ao produto final nem são revendidos. Exemplos incluem material de escritório, produtos de limpeza, peças de reposição para máquinas que não são parte do produto final. Esses itens, via de regra, não geram crédito de ICMS ou IPI.

    CFOP 1101 x 1401

    O CFOP 1401 é uma variação do 1101, mas se aplica quando a mercadoria adquirida para industrialização já está sujeita ao regime de Substituição Tributária (ST).  Nesses casos, o ICMS já foi retido anteriormente na cadeia. A apropriação de crédito de ICMS-ST segue regras específicas e deve ser verificada na legislação de cada estado.

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    A precisão fiscal é vantagem competitiva

    A correta aplicação do CFOP 1101 é mais do que uma obrigação legal; é uma estratégia inteligente de gestão fiscal.

    Para empresas industriais e produtores rurais, a precisão na classificação das entradas de mercadorias garante a conformidade com a legislação, evita penalidades e, crucialmente, permite a apropriação de créditos fiscais que podem representar uma economia significativa na carga tributária.

    Em um ambiente de negócios cada vez mais competitivo e com uma legislação tributária em constante mudança, contar com sistemas de gestão fiscal eficientes e com o apoio de profissionais contábeis especializados é indispensável. 

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